Entrevista | Fernanda Crispim: a voz de Lana Lang, Fiona e muitos mais

Foto: Fernanda Crispim
 
Dando continuidade a seção de entrevistas decidi garimpar esse mundo de dublagem e trazer mais curiosidades sobre as vozes que dão o sotaque brasileiro, em personagens marcantes da DC Comics. E é claro que isso dá margem para conhecermos, muito mais, as vozes que estamos tão acostumados em nossos personagens preferidos.

E, dessa vez, quem aceitou ceder uma entrevista exclusiva ao UMDCNAUTA.online, diretamente de Miami Beach (FL, Estados Unidos), foi a atriz e dubladora Fernanda Crispim. Responsável pelas vozes de: Lana Lang de "Smallville"; Brooke Davis de "One Tree Hill"; Claire Kyle de "Eu, a Patroa e as Crianças"; Tonya Rock de "Todo Mundo Odeia o Chris"; Princesa Fiona de "Shrek"; entre muitas outras, que também já tiveram o toque magistral de Fernanda.

Agora, é se ajeitar na cadeira, descer a barra de rolagem e aproveitar para conhecer um pouco mais sobre esse mundo de dublagem, com Fernanda Crispim.


ENTREVISTA

UMDCNAUTA: Há quanto tempo você dubla? Como você ingressou no mundo da dublagem?
FERNANDA CRISPIM: Eu dublo desde os 10 anos de idade, ou seja, há 34 anos... ou seja, entreguei a minha idade! RsRsRs
Comecei a minha carreira aos 9 anos de idade, atuando no Teatro Musical. Minha peça estava em temporada em um Teatro na Tijuca- RJ, bem próximo da Herbert Richers. Nesse tempo, eu estava começando uma oficina de Dublagem com o saudoso e incrível dublador "Newton Da Matta" (dublador do Bruce Willis) e foi lá onde tudo começou, e nunca mais parou! (Graças a Deus!).

UDCN: Você possui referências de dublagem, alguém que te inspire e admire?
FC: Newton da Matta foi minha inspiração e a Marisa Leal. Eu amava assistir quando ela estava dublando a Brenda de "Barrados no Baile"! E, também, a saudosa "Vera Miranda".

UDCN: A sua primeira dublagem, em filmes, foi em Superman IV, com o saudoso Christopher Reeve, no papel título. Como foi fazer seu primeiro trabalho de dublagem em um longa-metragem, numa produção tão importante para a cultura pop?
FC: AHHHH, eu nem podia acreditar!! Acho que fiquei dias sem conseguir dormir! rsrsr

UDCN: Quem acompanhava as séries no SBT, certamente, tem familiaridade com sua voz. Em Smallville, você dublou a personagem Lana Lang, paixão do adolescente Clark Kent. A personagem se popularizou muito com a série, tendo um forte apelo entre os fãs de Smallville. Você chegou a ter uma relação pessoal com a personagem? Alguma história que lhe marcou?
FC: Eu amava dublar a Lana Lang e amava fazer par romântico com meu irmão, Peterson Adriano! Eu me lembro que, uma vez, ela precisava gravar um comercial pra Neutrogena, em Português e Espanhol. Então, ela me pediu que gravasse um guia de voz pra ela, mas eu nunca vi esse comercial no ar, não sei se rolou. Mas foi a minha única experiência com ela. As histórias que me marcaram foram quando ela descobriu a identidade do Clark e quando ela ficou um pouco má. Eu amei pq ela era sempre muito boazinha!
* O comercial rolou, e para conferí-lo clique aqui.😊

UDCN: Você é a voz da Princesa Fiona (Shrek), aqui, no Brasil. Acompanho outros trabalhos seus, na parte de animação, como a personagem Abelha de "Os Jovens Titãs", da DC Comics. Existe uma diferença entre dublar animação e live-action? Algum tipo de preparação diferente para encarnar o personagem?
FC: Eu amo todos os meus personagens e procuro ser fiel à personalidade de cada um deles! Amo os games, narrações, eu amo tudo o que tem a ver com a minha profissão!!!Não exatamente, eu apenas olho a expressão dos olhos deles. Sempre digo que os olhos são o espelho da alma!

UDCN: Se pudesse ter um super poder, qual seria?
FC: Voar e ir pra onde eu quisesse!!
Ah!! E ter o poder de transformar o mundo em um lugar habitável e com mais amor! Mas Deus faz isso muito melhor do que eu, então tento apenas fazer a minha parte.

UDCN: Você também é diretora de dublagem. Qual é a real diferença entre dublar e dirigir o dublador? Qual dos dois você prefere e por quê?
FC: Eu amo dublar!! Eu também amo formar novos profissionais e gerar novos sonhos.  Mas, também, gosto de dirigir e me deliciar com a interpretação dos atores/dubladores.

UDCN: O Prêmio Yamato, intitulado como Oscar da Dublagem, sem dúvidas, é um dos maiores reconhecimentos que o profissional da dublagem pode ter. Como foi pra você receber o prêmio de Melhor Dubladora de Protagonista, com a voz da Princesa Fiona em Shrek para Sempre?
FC: Foi incrível porque além de ter sido por voto popular, eu só soube do prêmio depois que tinha ganho! Nesse tempo, eu não usava muito a internet, porque estava muito ocupada dividindo o meu tempo com meu trabalho de direção, a dublagem e com a criação dos meus 2 filhos que eram pequenos! Mas foi, com certeza, uma agradável e incrível surpresa, além de um lindo reconhecimento do meu trabalho. Me senti muito honrada!

UDCN: Você também é a voz da Claire (Eu, a Patroa e as Crianças) e Tonya (Todo Mundo Odeia o Chris), duas séries muito lembradas entre os brasileiros. Já houve alguma situação engraçada, justamente por ser dublagens de situações cômicas?
FC: Sim, sobre a Claire, eu coloquei no Junior (cabeção) todos os apelidos que meu irmão mais velho, André, me colocava!! Eu me lembro que meu irmão me chamava de "Cabeça de arrombar navio", porque minha mãe cortava meu cabelo igual ao boneco do playmobil. Eu, praticamente, me vinguei! heheh Sobre a Tonya eu ria muito com a frase "Ahhh, eu não preciso disso não!! Meu pai tem 2 empregos"!! hahahha

UDCN: Você tem uma vasta história com as novelas mexicanas. Qual delas que mais lhe marcou e por quê?
FC: Chispita, com certeza!! Porque foi a minha protagonista e foi o próprio Silvio Santos que escolheu o meu teste. Ele mesmo mandou uma carta pro saudoso Herbert Richers, dizendo que chorava com a minha interpretação. Eu era uma menina, então foi aí que eu me dei conta que estava no caminho certo!! Mas eu amo dublar novelas mexicanas!! Todas as minhas personagens estão na minha lembrança. Todas tem um lugar especial no meu coração. Eu também não posso deixar de mencionar o Jorge Del Salto de Carrossel, que foi a primeira novela e eu dublava um menino.

UDCN: Qual o tipo de produção você mais gosta de trabalhar: Animações, filmes, séries ou novelas? E por quê?
FC: TODAS!! Eu juro. Todas são um desafio diferente e apaixonante!

UDCN: A galera, hoje em dia, está aderindo mais à dublagem. Em vista do passado, produções dubladas estão ganhando mais apelo com um público maior. De modo geral, isso facilitou o reconhecimento da profissão tanto no mercado, quanto pelas pessoas?
FC: Sim claro! A internet, com certeza, ajudou! As pessoas sempre tiveram curiosidade de conhecer quem estava por trás das vozes de seus personagens favoritos e a internet permitiu isso. E quem nunca imitou as vozes dos dubladores? E quem nunca sonhou em ouvir sua voz no seu personagem favorito?

UDCN: Qual dica/conselho você daria para aquelas pessoas que têm interesse em investir na carreira de dublador?
FC: Eu sempre digo pros meus aluno: "Nunca desista dos seus sonhos'!! Invistam em interpretação, porque um filme bem dublado não é um filme bem sincronizado, apenas é, sim, um filme bem interpretado!! Precisamos passar a intenção correta, a emoção correta! Dublagem é uma profissão como qualquer outra, portanto, estudem, se dediquem!!
Fazer cursos de interpretação e técnicas de dublagem não é jogar dinheiro fora e sim um investimento!! Seja excelente!! Não seja medíocre!! Não faça qualquer jeito só pra ganhar dinheiro, isso é uma consequência!! Olhe para criação perfeita que você é e para o potencial que Deus colocou em Você. Deus não faz nada mais ou menos, seja melhor a cada dia! Você vai chegar lá!!
E seja ético, humilde e gentil. Faça tudo com muito amor!

Hoje, vocês puderam conhecer um pouco mais sobre o mundo da dublagem, através da entrevista com a queridíssima Fernanda Crispim. Se, assim como eu, vocês estão cada vez mais empolgados com esse universo de vozes fantásticas, sigam a Fernanda em suas redes e fiquem ligados no trabalho incrível que ela desenvolve por lá!

---------- FERNANDA CRISPIM NAS REDES: INSTAGRAM | FACEBOOK ----------

Ps: Fernanda saiu diretamente das páginas da Revista Caras para este bate-papo exclusivo. Não é uma honra tê-la neste site? 😂😂 Sucesso, Fernanda Crispim!

Foto: Fernanda Crispim   Dando continuidade a seção de entrevistas decidi garimpar esse mundo de dublagem e trazer mais curiosidades sob...

Esquadrão Suicida | Por que Michael Rosenbaum precisou recusar o papel no filme?


Michael Rosembaum, nosso eterno (e melhor) Lex Luthor de "Smallville", cedeu uma entrevista ao ComicBook, e surpreendeu a todos quando revelou que precisou recusar um papel para o novo filme de Esquadrão Suicida ou The Suicide Squad, com preferirem.

MAS COMO ASSIM?!


A verdade é que foi por pouco que não tivemos Rosenbaum incluso à equipe de vilões da DC Comics. O motivo? O ator havia acabado de passar por uma cirurgia no pescoço e foi orientado pelos médicos a não ter nenhum tipo de movimentação física, no período de recuperação.

Ficou bem perto, acredito. Eu estaria no filme, mas precisei fazer uma cirurgia no pescoço, e isso me custou esse papel. Era algo que envolvia cenas de ação, então ficou inviável. Mas, sim, existia algo. Infelizmente, ainda não posso revelar qual personagem! Tudo o que vou dizer é que James (Gunn) é uma das melhores pessoas com quem já trabalhei. É, realmente, muito legal quando seus amigos lembram de você.


Contou o ator, em episódio recente da Comicbook's Talking Shop. Rosenbaum já trabalhou com o diretor James Gunn em “Guardiões da Galáxia Vol. 2", numa participação especial como Martinex. Mas, e aí, alguém se habilita em adivinhar qual papel estava reservado ao nosso ex-careca de Pequenópolis? Será que esse convite vai se repetir, se houver uma continuação do filme?

REZANDO, DESDE JÁ!

Aleluia, arrepiei!🙏🙌

O elenco terá o retorno de Viola Davis como Amanda Waller, Joel Kinnaman como Rick Flagg, Jai Courtney como Capitão Bumerangue e Margot Robbie como Arlequina. Além de novos nomes, como: Idris Elba, John Cena, Peter Capaldi, Nathan Fillion, Alice Braga, Michael Rooker, Taika Waititi, Sean Gunn, Storm Reid, Daniela Melchior, David Dastmalchian e Steve Agee.

The Suicide Squad chega aos cinemas em 06 de agosto de 2021, com direção e roteiro de James Gunn.

Michael Rosembaum , nosso eterno (e melhor) Lex Luthor de "Smallville" , cedeu uma entrevista ao ComicBook , e surpreendeu ...

Mulher-Maravilha 1984 | Warner fará ação do filme na final do BBB 20


 
O planejamento de divulgação do filme Mulher-Maravilha 1984 começou a se intensificar. Durante a final do Big Brother Brasil 20, a Warner Bros exibirá um comercial protagonizado pela atriz Gal Gadot no intervalo do programa.

Porém, o comercial é somente para as audiências das cidades de Rio de Janeiro e São Paulo. A final do reality show está marcada para a próxima segunda-feira (27) e promete alcançar uma das maiores audiências das últimas edições.


Enquanto isso no twitter, a notícia chega com analogias e comparação do BBB ao Superbowl e suas divulgações do intervalo, será?
 

O filme chega as cinemas em 13 de agosto, após ter sua data adiada devido a pandemia do Covid-19.

Dirigido por Patty Jenkins e estrelado por Gal Gadot, Mulher-Maravilha 1984 traz no elenco Chris PineKristen Wiig, Pedro Pascal, Robin Wright Connie Nielsen. Na trama Diana enfrentará dois grandes vilões da DC Comics, Maxwell Lord e Mulher-Leopardo, enquanto ainda precisa entender sobre a volta de seu amado Steve Trevor ao mundo dos vivos.

  O planejamento de divulgação do filme Mulher-Maravilha 1984 começou a se intensificar. Durante a final do Big Brother Brasil 20 , a War...

Entrevista | Jorge Lucas: a voz do Batman, Lex Luthor e muitos mais


Foto: Jorge Lucas | Crédito: Nana Moraes
 
Em grande estilo, é com imenso prazer que trago a primeira entrevista do site! O ator e dublador Jorge Lucas cedeu uma exclusiva ao UMDCNAUTA.online!

Tenho certeza que você conhece a voz dele, seja como: Batman (de Ben Affleck), Lex Luthor (Smallville), Charlie Sheen, Vin Diesel, RuPaul, e muitas outras vozes que esse mestre já interpretou. Talvez o conheça, também, pelas suas aparições em novelas e séries de TV, como: A Diarista, Casos e Acasos, Força Tarefa, Pé na Jaca, Você Decide, Faça sua História, Nós da Escola, A Lei do Amor e Bom Sucesso.

Então, é isso. Eu e alguns entusiastas nos reunimos para desenvolvermos as perguntas ao dublador e ator Jorge Lucas. A leitura é com vocês!


ENTREVISTA

UMDCNAUTA: Como você ingressou no mundo da dublagem? E por que escolheu a profissão?
JORGE LUCAS: Comecei fazendo um curso de dublagem com profissionais extremamente conceituados, dentre eles: Mário Jorge, Mônica Rossi, Paulo Pinheiro, Hamilton Ricardo e Márcio Simões. Isso foi em outubro de 1991. Eu já era ator de teatro, formado pela Uni-Rio, já fazia teatro infantil, projeto-escola e tentava entrar no mercado mais a sério. Sempre amei televisão e sempre me interessei em saber de quem eram as vozes que ouvia nos desenhos e filmes que assistia, desde pequeno. Sabia que é um mercado de e para atores profissionais e fui descobrir se eu levava jeito para o ofício da dublagem. Logo na 1ª aula percebi que sim, apesar de muito difícil, técnico e cheio de detalhes que só com o tempo aperfeiçoei. Digo que ser ator é algo que está no meu caminho desde cedo. Quando brincava sozinho com meus bonecos, criava vozes diferentes para eles, histórias intermináveis e me divertia, absorvido pelo meu imaginário. A dublagem foi uma forma de fincar âncora no mercado, desde o início, além da realização de um sonho de infância.
 
UDCN: Alguma dublagem marcou sua infância? Dentro da profissão você possui referências para dublagem? Alguém que lhe inspire e admire?
JL: Algumas dublagens são inesquecíveis e são várias as minhas referências infantis: Sônia Ferreira dublando Barbra Streisand em “Hello Dolly”; Mário Monjardim e Orlando Drumond em Salsicha e Soccoby Doo, respectivamente; Selma Lopes como Woopi Goldberg e Marge Simpson; Marlene Costa como a mulher biônica; Waldir Santana, o eterno Homer Simpson; a divina Ida Gomes dublando magistralmente a Malévola e a Madame Medusa nos desenhos da Disney; qualquer dublagem feita por Newton da Matta, Júlio Chaves, Juraciára Diácovo, Vera Miranda, Sônia de Moraes, Nelly Amaral, André Filho. Perceba que todos esses dubladores, citados acima, vinham do teatro ou do rádio-teatro e rádio-novelas, a base da excelente dublagem brasileira, e são eles minha maior inspiração.

UDCN: Como é a rotina de um dublador? E como funciona a seletiva de trabalhos?

JL: A rotina de um dublador é exatamente a falta de rotina. Há momentos de grande produção em que corre de um estúdio para o outro, durante o dia inteiro; vai-se à São Paulo para dublar por dois dias, retorna-se para o Rio; e há momentos, como é corrente na vida do ator, de não haver muita produção e bate a incerteza, a insegurança. Por isso que é uma profissão para quem tem vocação e emocional para segurar os altos e baixos. A seleção é feita por testes e indicações.


UDCN: Com uma vasta lista de personagens dublados e sendo voz fixa de diversos atores de Hollywood, como foi para você saber que, depois de anos dublando Ben Affleck, teria a oportunidade de dublá-lo, interpretando o Batman? Houve algum desafio para realizar a dublagem, (principalmente na variação de vozes entre Batman e Bruce Wayne)?
JL: Com certeza, até hoje, no mercado de dublagem, foi meu maior sonho realizado ter dublado o Batman, o homem morcego. Eu dublo o Ben Affleck há 26 anos. Logo, amadurecemos juntos, voz, emocional, vida e vê-lo fazendo aquele que, para mim, é o melhor Bruce Wayne da história do cinema, e como ele foi criticado, quando de sua escalação, foi emocionante. Me diverti dublando e me relembrei de mim mesmo, criança ao lado do meu irmão, assistindo Adam West e Burt Ward, naquela paródia maravilhosa e inesquecível dos anos 60. Jamais poderia me imaginar dublando o Batman décadas depois, dando vida ao herói mais humano e icônico de todos, perturbado e sensível ao mesmo tempo. O maior desafio, e esse é o maior em qualquer trabalho de ator/dublador, é manter a humanidade do personagem, é respeitar o trabalho que foi feito pelo meu colega e dirigido, e roteirizado, e discutido por meses a fio de pré-produção. Inclui-se o fato de estar dando vida a um personagem amado há décadas, numa superprodução esperada com ansiedade por todos, advinda de um HQ e franquia de alcance mundial. Em relação às vozes, não houve dificuldade. Fiz minha voz normal para dar vida ao Bruce e quando era o Batman, ela levava efeito de estúdio e mixagem, como o próprio é no original. Foi uma honra, um prazer, uma benção e uma lembrança que sempre terei na vida ter dublado o Batman.

UDCN: Sua voz me é familiar desde a época dos Power Rangers (Ok, entregando a idade agora hahaha). É visível que tem um contato com o universo dos heróis, desde o começo. Uma voz que me marcou muito foi a do Lex Luthor de "Smallville", tanto que quando vejo o ator falando originalmente, tenho impressão de ser a sua voz falando apenas em inglês. Como foi pra você dublar um dos vilões mais icônicos do universo DC por tanto tempo?
JL: Lex Luthor é incrível! Adorava dublá-lo! Michael Rosenbaum, o ator, o interpretava muito bem, com todas as nuances, degraus e variações que o personagem merecia, sem nunca cair no estereótipo do psicopata comum. Os vilões são sempre muito instigantes, pois eles carregam em si o peso da humanidade, os traumas injustificados ou não, e sempre dão ao ator mais chances de colorir seu trabalho, desde que ele saiba usar bem a paleta de cores e suas ferramentas como ator. E, honestamente, acho que o seriado era dele.

UDCN: Na parte da animação, você deu sua voz ao Kid Flash de "Os Jovens Titãs", e consegue passear muito bem em três personagens bem distintos do universo DC. De Batman, um herói amargurado por seu passado; à Lex, um vilão que luta contra a sua própria natureza em vários momentos. Já na animação "Os Jovens Titãs", você dubla um personagem mais leve e para um público até mais novo. Para buscar esse equilíbrio de entrega de resultado, você busca um pouco a origem do personagem ou deixa fluir conforme a história?
JL: Temos sempre que respeitar aquilo que nos é apresentado pelo produto. Não posso fugir às características do personagem, nunca, ou farei um trabalho dissonante e ruim. No caso desses 3 personagens, eles são famosos e marcam nossas vidas, e sempre há a direção de dublagem a nos informar e encaminhar no melhor caminho de trabalho. Dublagem é um trabalho em que tudo o que preciso saber sobre o personagem está na tela. Claro, há os perfis que vêm dos estúdios, as famosas “cartas criativas” com as informações básicas e fundamentais a serem seguidas pelo ator/dublador que vão da personalidade do personagem à uma questão física. No Batman, por exemplo, eu recebi a indicação da Warner, donos do produto, de não subir muito o tom da minha voz, mantê-la sempre mais grave possível para caracterizar a amargura do Cavaleiro das Trevas.
 
UDCN: Mudando de universo, você também dublou o ator Mark Ruffalo (Hulk) em um dos filmes de Vingadores. Essa sua ligação com os heróis, nas telas, se reflete em sua vida pessoal? Costuma consumir quadrinhos/filmes/séries do gênero?
JL: O Hulk é um caso de amor que tenho. Me identifico com o Bruce Banner e sua serenidade constante para não liberar o “cara”. É outro herói humano que muito me deu prazer em dublar, assim como o Mark Ruffalo, a quem considero um grande ator e já tive o prazer de interpretá-lo em outros filmes. Li muito quadrinho quando era mais jovem, cheguei a fazer álbum de figurinhas na infância. Esse universo dos heróis sempre me atraiu. Também sempre consumi e continuo assistindo e me divertindo com filmes e séries que são lançados no gênero, de "X-Men"(sou fã) à "Titans" passando por "Umbrella Academy" e "Guardiões da Galáxia"(amo), tudo me diverte, obviamente tenho meus preferidos.

UDCN: Em uma de suas entrevistas você elogiou o Batman de Ben Affleck como um dos melhores dos cinemas. Particularmente, também concordo. Dito isso, você tem relação pessoal com o personagem ou foi apenas mais uma voz do Ben Affleck que você já dubla por 25 anos?
JL: Como disse acima, foi o maior presente que até hoje ganhei na dublagem, enquanto fã de heróis e como ser humano. Foi uma epifania me ver no cinema da Warner, em Los Angeles, em janeiro de 2016. Sim, eles levaram os 4 principais de cada versão de sua respectiva língua para assistirem ao filme em tela aberta, pois essa chegaria para ser dublada nos países com proteção contra hackeamento, já que era um lançamento estrondoso e aguardado. Então, estar naquele cinema, com meus amigos queridos e de longa data, Sílvia Salusti, Guilherme Briggs e Sérgio Cantú foi a constatação de uma trajetória correta, iluminada, da realização de sonhos que, nem mesmo eu poderia imaginá-los quando pequeno assistindo a Liga da Justiça, nas tardes de domingo após o almoço em família. Dublar o Batman, assim como ter dublado o Fox Mulder, dos "X-Files", Jake Sully de "Avatar" e o Charlie Harper de "Two and a Half Man" e tantos outros, foi e é mais do que apenas ter trabalhado e recebido, é a certeza de uma estrada muitas vezes difícil, incerta, temerária às vezes, mas sempre, sempre gratificante e abençoada!

UDCN: Existe algum personagem que gostaria muito de interpretar? Qual seria sua maior realização como dublador?
JL: Acredito que o melhor personagem está sempre por vir, seja qual for a área. Sempre será um desafio novo, um universo desconhecido. Já dublei grandes estrelas internacionais e anseio por seus próximos projetos para me provocarem a dar o meu melhor, e também aqueles atores nem tão famosos em projetos “menores” e que sempre me dão aulas diferentes e me instigam no meu melhor. Do Johnny Depp ao ilustre desconhecido do seriado que ainda será produzido.

UDCN: Saindo do universo da DC, além das dublagens citadas até o momento, você tem em seu currículo uma vasta lista de personagens icônicos, como: Charlie Sheen (Two and Halfman), David Duchovny (Arquivo X), Vin Diesel (Velozes e Furiosos), Chapéu Seletor (Harry Potter), Ben Stiller (Entrando Numa Fria), Marlon Wayans (Todo Mundo em Pânico), Johnny Depp (Piratas do Caribe 5), Jamie Foxx (Django Livre), entre muitos. Tem algum, em específico, que você carrega com carinho e se orgulha em ter feito?
JL: Todos os que estão citados na pergunta e mais RuPaul; Matt Damon; Vigo Morthensen; Carl (Simpson’s); Thomas Gibson; tantos por quem tenho carinho e apreço, fica difícil lembrar.

UDCN: Diante de tantas dublagens marcantes, houve alguma situação mais inusitada e engraçada?
JL: Suspender a gravação de "Criminal Minds" porque dei um espirro ao entrar no estúdio, ter crise de alergia, o nariz entupir e ficar impossível de entender o que eu falava.

UDCN: Você, além de dublador é ator. Pude conferir alguns dos seus trabalhos em novelas e séries. O último papel, inclusive, foi como o médico Mauri, no folhetim "Bom Sucesso" da emissora Globo. Portanto, fica a pergunta: dublar é uma preferência ou uma escolha?
JL: Dublar é um prazer! Uma arte a quem devo grandes momentos, amigos e trabalhos de minha vida. Um ofício que me ensinou a ser pontual e profissional, a respeitar o trabalho do colega, a ser disciplinado, a ter raciocínio rápido para solução de problemas.

UDCN: Percebo o quanto é apaixonado por dublar. Essa é uma característica na maioria dos dubladores brasileiros. Existe um porquê?
JL: Porque somos bons, amamos o que fazemos, é divertido, somos gratos e é um trabalho delicioso!

UDCN: Uma dica para galera que tem interesse pela profissão de dublador: por onde devem começar?
JL: A melhor coisa a ser feita para quem iniciar na carreira artística é fazer um bom curso de teatro. Ele é a base de tudo, sem ele o ator é raso e sem cores para oferecer ao seu personagem aquilo que ele merece, o seu melhor. O palco é a grande matriz, depois enverede para outras paragens. Essa é a minha dica.

Esse foi o papo com o carioca Jorge Lucas Costa, ator e dublador há 28 anos. E se vocês, assim como eu, adoraram essa aula de humildade, simpatia e talento deste Mestre, deixarei, logo abaixo, suas redes para acompanharem o seu trabalho e ficarem ligados nas produções que têm o toque de sua voz.

----------------- JORGE LUCAS NA REDE: SIGA-O NO INSTAGRAM -----------------

PS: Sempre achei um exagero quando ouvia que alguém virou mais fã do entrevistado, após a experiência. Mas, cá estou eu, constatando a veracidade nesta informação! É, virei mais fã, Jorge Lucas.

Muito obrigado pela oportunidade!


Foto: Jorge Lucas | Crédito: Nana Moraes   Em grande estilo, é com imenso prazer que trago a primeira entrevista do site! O ator e dubl...

Os Novos 52 | Ex-editor Dan DiDio revela o seu maior arrependimento na DC


O ex-editor da DC Comics, Dan Didio, durante o podcast Drink & Draw, revelou seu maior arrependimento sobre o seu tempo na editora.
 
DiDio pontuou os erros que acredita ter cometido na época de relançamentos como, por exemplo, Os Novos 52. O ex-editor alegou que seu maior arrependimento foi a falta de equilíbrio dedicado entre o Ano 1 e 2.

Dan DiDio, ex-editor da DC Comics
Provavelmente meu maior arrependimento foi ter feito as coisas acontecerem rápido demais. Passamos de seis a oito meses construindo Os Novos 52, repensando os personagens, repensando os designs, repensando os vilões, repensando tudo para que fizesse sentido.

Dan citou que as coisas estavam se movendo rápido demais e gastando menos tempo para o desenvolvimento. O que acabou refletindo na hora de fazer mudanças em personagens que mereciam atenção e, por consequência, ganharam menos dedicação e energia para a realização destas melhorias.

O ex-editor também declarou que os fãs e leitores de quadrinhos ficavam impacientes para entender quais histórias eram, realmente, as mais importantes para aquela linha de publicação, fazendo vários fãs desistirem de acompanhar as edições.

DiDio deixou sua posição como co-editor da DC, em fevereiro deste ano, fazendo de Jim Lee, o editor único. Esta foi sua primeira aparição pública, desde então.

Texto criado em 11/04/2020 | Publicado em Terraverso

O ex-editor da DC Comics , Dan Didio , durante o podcast Drink & Draw , revelou seu maior arrependimento sobre o seu tempo na edit...

Crise nas Infinitas Terras | Por quê Tom Welling não vestiu a capa de Superman?


Se houve algo que deixou os fãs eufóricos para o crossover de Crise nas Infinitas Terras, foi o anúncio que Tom Welling participaria do evento. A nostalgia tomou conta e inúmeras teorias foram montadas de como o eterno Clark Kent, da série Smallville, retornaria ao papel.

Acontece que sua participação acabou frustrando a maioria dos fãs, já que Clark Kent da Terra-167 não retornou como Superman, e sim como o pacato fazendeiro da interiorana Pequenópolis. Sem poderes e cuidando da família na fazenda que herdou dos pais.

O evento televisivo aconteceu entre final de dezembro de 2019 e início de janeiro de 2020, mas continua sendo pauta constante devido seu sucesso. Em participação ao Fake Nerd Podcast, o produtor Marc Guggenheim resolveu comentar sobre a participação especial de Tom Welling e o motivo que o fez ser daquela forma.

Quando estávamos conversando sobre Smallville em Crise nas Infinitas Terras, um dos principais tópicos foi Superman II. A ideia de Clark abandonar os poderes e viver uma vida normal ao lado de Lois, acho que fazia todo sentido. E também fazia sentido para Tom. Foi uma junção de fatores.

A pergunta que fica em aberto é: Se Clark Kent abriu mão de seus poderes, não poderíamos ter tido um fan-service da série à todos aqueles que shipparam o infalível casal Clark e Lana?

Apesar de Lois ter sido inserida muito bem na vida de Clark, após a despedida de Lana, fica claro que o casal Clana só não foi possível, devido Lang ser um kriptonita ambulante. Logo, com Clark abrindo mão de seus poderes, seria muito mais coerente termos visto Lana no lugar de Lois.


Apesar da referência ao épico filme Superman II, fica no ar se, em algum multiverso não mostrado na Crise, tivemos um final feliz para o casal Clark Kent e Lana Lang, de Smallville.

Se houve algo que deixou os fãs eufóricos para o crossover de Crise nas Infinitas Terras , foi o anúncio que Tom Welling participaria d...